O Sistema e o poder, uma analogia comparativa

13/11/2011 17:22

    Como podemos decifrar a construção do sistema de poder e como ele é perpetuado através dos tempos? Muitas vezes o alicerce deste poder é construído por elementos não participativos de uma estrutura moralista perante a sociedade e diríamos que muito ao contrário do que possa parecer eles são antagônicos. Podemos exemplificar com o exército romano do antigo império, onde os soldados ao invadir e escravizar outros reinos e povos pilhavam tudo o que eles tinham de valor e assim faziam tudo o que estava ao seu alcance para fazer o quinhão crescer e tornarem-se pequenos homens de poder. Aos generais e comandantes dos batalhões, muitos soldados faziam doações e pelo número e quantidade dos mesmos não era nada baixo o valor destes quinhões. Mesmo assim era uma relação paternalista vista com outros olhos, pois se não conspiravam o ato da pilhagem entre o vergão vertical das extremidades que representava o batalhão: comandantes e soldados, sabiam que o pequeno soldo pago aos soldados não atrairia homens para pegar em armas e defender e expandir o Império. Portanto, ali estava o exemplo do poder construído pelas mãos dos soldados em um jogo de conivência entre Imperadores, comandantes e generais e os soldados que atraídos pelo montante da pilhagem de que poderiam confiscar fazendo-os aos olhos dos demais compatriotas, um elo do poder. A religião criava regras para punir os que estavam fora de seu sistema, e ao mesmo tempo um bálsamo ou até mesmo um perdão para os que faziam parte deste círculo social do poder.

    Durante o reinado de Augusto, que procurava estender o seu poder também entre os bárbaros e principalmente aqueles do outro lado do rio Reno, na Província de Germânia onde os bárbaros tinham apreço por seus costumes e não se sujeitavam aos ditames do Império. Augusto e seus exércitos encontraram forte oposição por parte dos bárbaros da província de Germânia, que ainda não entendiam as mulheres estupradas pelos soldados, corpos crucificados e desmembrados e um novo panteão de deuses fariam com que houvesse vários embates entre os romanos e os bárbaros. Estas rebeliões foram desencadeadas pelos próprios soldados do Império romano, ou força auxiliar que era liderada pelo comandante chamado Armínio (germanos que foram aproveitados no exército romano na região) e que não toleravam modificações em seu paganismo. A relação de poder que era estruturada e construída pelos soldados (bárbaros) já que os romanos não mais se interessavam pelos postos militares, era construída numa relação de ódio entre as partes, generais e comandantes que mandavam reprimir as rebeliões e comandantes germânicos servindo ao Império romano e que desertavam ao verem os seus serem mortos e esquartejados. Os germânicos conseguiram atrair as legiões romanas para os bosques onde os emboscaram e fizeram com que o governador da província, Públio Quintílio Varo (romano) se suicidasse. Portanto a relação de poder do Antigo Império Romano, era consolidada pelos soldados atraídos ao posto, não pelo soldo, mas sim pelo status de servir ao Império e pelas lutas constantes e o resultado das pilhagens como lucro de guerra. Este poder era construído de forma que os imperadores eram vistos como poderosos justamente pelos exércitos numerosos e extremamente combativos que se apoderavam de outras regiões engrandecendo o Império Romano.
    No sistema Feudal, nas feiras dos caminhos das cidades, eram comuns as cobranças de altas taxas para que pudesse os feirantes passar com suas mercadorias e tranquilamente se instalar para comercializar seus produtos. Queriam ficar longe dos aborrecimentos constantes dos larápios e outros gatunos, que faziam parte da mesma equipe dos que cobravam as taxas de segurança. A organização das feiras da idade Média, que criaram até mesmo um policiamento para os gatunos e outros larápios, contando aí os falsos cobradores de taxas de proteção por utilização das estradas, chegaram ás vias de colocar cadeias dentro do perímetro das feiras e pequenos tribunais onde os casos eram julgados durante o período das grandes feiras. Esta organização se tornava poderosa á medida que tudo fazia para organizar e taxar “de maneira legal” uma feira que seria comentada em outras grandes cidades pela segurança de negociar com toda a segurança. Os montantes financeiros dos prejuízos de antes eram agora coletados pela ‘Organização’ e assim construíam um poder para a cidade e para os senhores dos Feudos que aliados ao poder indiscutível da igreja católica no período medieval, se tornavam cada vez mais fortes e ao mesmo tempo inatingíveis perante os comuns.
Em Nova York, no ano de 1850, muitas gangues, tendo a ‘filosofia de discriminar outros povos’ recém chegados á América, entre eles judeus, irlandeses, orientais, latinos, e negros, se tornavam em números os ‘todos poderosos’ que controlavam através de suas lutas o controle do lugar. A partir do controle também estava uma quantidade enorme de taxas de proteção e outras ‘singularidades’ que faziam de uma gangue ser especial em relação á outras e também de serem respeitadas pelos comuns e pelos das demais gangues. As muitas lutas entre gangues aconteciam com alguns códigos de regras ‘morais’ por eles, como por exemplo, a não aceitação de armas de fogo. Eles por considerarem covardia este tipo de arma e sim tão somente os facões, porretes, espadas, machadinhas e quantas armas diferentes poderiam se usar para o combate corpo a corpo como definiam entre si, como se estivessem na idade média. O poder construído de forma de ‘medo’, ‘respeito’, ‘sujeição’, seria mais tarde aproveitado pelos políticos de forma que muitos ganhavam as eleições por ‘indicações’ das gangues ‘apadrinhadas’. A belicosidade do americano diante de outras nações é amplamente explicada diante da construção deste poder de controle não só do seu território, mas também diante do resto do planeta, em como deve ser esta democracia e respeitada pelos demais, mas de seu jeito superior.
    Vemos então vários exemplos da construção de poder através dos tempos, em que o ser humano utiliza o medo como forma de controlar e ao mesmo tempo de ser respeitado por aquele que é dominado. Não haveria nenhum grande Império Romano controlado pelos ‘Césares’, não fossem os grandes exércitos de combate ao inimigo e de dominação de território e que atraiam homens aos postos militares não pelo baixo soldo e sim pela pilhagem e pelo status de ‘soldado do Império’. O poder crescia conforme o Império se expandia e mais territórios fossem conquistados. Na idade Média vemos a organização do controle tomado dos salteadores e outros gatunos e que transformava os prejuízos em taxas ‘legais’ e com isto (verba), melhoravam a sua relação de controle em relação aos comuns. Isto é o poder que se transforma e cresce e cada vez mais indica sujeição. O poder das gangues de Nova York, explicado anteriormente, foi utilizado pelos políticos para se elegerem. Ao mesmo tempo consolida uma determinada região em relação á outras como a mais poderosa e outros poderes que vinham de cima não poderiam desconhecer este originário das gangues e de alguma maneira se aproveitavam da união ‘mascarada’ para crescer como partidos poderosos.
    Aí está em como o poder utiliza das massas contrárias as regras e á moral e une-se para engrossar o poder que vem de cima e que assim somado se tornam mais poderosos, mas utilizando-se de uma máscara para não dizer que foi corrompido.